25/07/2013
Presidenta veta projeto de
lei aprovado pelo Congresso que acabava com a multa sobre o FGTS
A
presidenta Dilma Rousseff atendeu reivindicação da CUT e manteve a multa
adicional de 10% sobre o saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
em caso de demissão sem justa causa. O veto ao Projeto de Lei Complementar
200/12 que extinguia a multa foi publicado nesta quinta-feira (25) do Diário
Oficial da União.
A
Central Única dos Trabalhadores já havia enviado solicitação oficial à
presidenta Dilma para que a matéria fosse vetada. No documento também assinado
pela CGTB, a CUT exige a manutenção dos 10% e argumenta que esse custo já foi
incorporado e repassado pelas empresas aos produtos e serviços e que a
desoneração não resultaria em redução de preços, como já disse inúmeras vezes o
presidente da Central, Vagner Freitas, inclusive quando se referia ao fim da
CPFM, cujos recursos iam para a saúde. Vagner sempre lembra que, quando o
Congresso derrubou a contribuição, empresários disseram que isso contribuiria
para a redução dos preços, o que, evidentemente, não ocorreu.
A
Central também pediu à Dilma que os recursos do Fundo sejam integralmente
aplicados em projetos sociais.
Segundo
o governo federal, a extinção da cobrança causaria impacto de R$ 3 bilhões ao
FGTS e levaria à redução de investimentos em importantes programas sociais e em
ações estratégicas de infraestrutura, como o Programa Minha Casa, Minha Vida,
cujos beneficiários são majoritariamente os correntistas do FGTS.
A
multa de 10% do FGTS foi derrubada no Congresso, Nacional no início deste mês,
por força da grande pressão de empresários. O projeto extinguia a multa a
partir de junho deste ano. Na votação final do projeto na Câmara, PT, PC do B e
PSOL votaram pela derrubada do texto. O projeto foi aprovado com 315 votos
favoráveis, 95 contrários e uma abstenção.
DESDE
2001 -A contribuição de 10% foi incorporada em 2001 à multa de 40% do FGTS e é
paga pelas empresas ao governo, e não ao empregado, para tentar equilibrar a
correção dos saldos das contas individuais do FGTS, decorrente dos planos Verão
e Collor, e o patrimônio do fundo.
Em
tempo: O Conversa Afiada republica texto do
Tijolaço:
A
Folha tem como manchete de sua página de economia a chamada “Dilma veta projeto
que acabava com multa adicional de 10% do FGTS“.
Embaixo,
em letras bem menores, “CASA PRÓPRIA-Crédito imobiliário tem melhor semestre da
história, com R$ 49,6 bi“.
O
leitor da Folha talvez não perceba a ligação entre as duas notícias.
A
multa adicional de 10% sobre o Fundo de Garantia – que só é cobrada
quando a demissão é imotivada – vai se somar ao bolo de recursos que são
repassados pelo FGTS para a compra de imóveis.
Sem
esse aporte de recursos, cash, nem muitos teriam como financiar seu imóvel, nem
muitos imóveis teriam compradores, com reflexo direto na indústria – e no
emprego – da construção civil.
Mas
o jornal prefere destacar os prejuízos que os empresários terão.
Se
tiverem, é porque praticam uma política criminosa de rotatividade da força de
trabalho, que faz com que um terço dos trabalhadores não cheguem a completar um
ano de casa!
Os
empresários deveriam, sim, é lamber os beiços de satisfação por até hoje, 25
anos depois da Constituição de 88, ainda não ter sido regulamentado o
parágrafo 4° do artigo 293 de nossa Carta, que prevê que as
empresas “cujo índice de rotatividade da força de trabalho superar o índice
médio da rotatividade do setor” terão de pagar uma alíquota maior de PIS, para
ajudar a financiar o seguro-desemprego, que é criminosamente sobrecarregado com
a abjeta política de demitir em massa como estratégia empresarial.
A
propósito: a ilustração ao lado dos títulos é de um teste de segurança
veicular, mas poderia bem ilustrar o que a Folha desejaria que acontecesse com
as políticas sociais.
Aliás,
um dos carros “nota zero” é, quem diria, da GM, que demitiu em massa
metalúrgicos de sua fábrica.
Por:
Fernando Brito
§
Publicado no blog do Paulo Henrique Amorim – Conversa
Afiada - http://www.conversaafiada.com.br/economia/2013/07/25/dilma-atende-a-cut-e-garante-o-fgts/#.UfGMFGDw19Q.twitter